Carcinoma de Laringe: tipos, estadiamento TNM e protocolos de tratamento oncológico

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O carcinoma de laringe é o tipo maligno mais comum dos tumores da laringe, representando mais de 95% dos casos. O tipo histológico predominante é o carcinoma de células escamosas. O estadiamento pelo sistema TNM define o protocolo: cirurgia e radioterapia para estágios iniciais; quimioradioterapia concomitante, imunoterapia e terapia alvo para estágios avançados. A Dra. Vanessa Motta, oncologista clínica, coordena o tratamento sistêmico.

O carcinoma de laringe é diagnosticado em mais de 6.000 brasileiros por ano, segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA). O diagnóstico precoce , quando o tumor ainda está localizado ,muda radicalmente o prognóstico e as opções terapêuticas. Este artigo apresenta os tipos histológicos do carcinoma de laringe, o sistema de estadiamento TNM utilizado clinicamente e os protocolos de tratamento por estágio, com ênfase no papel da oncologista clínica.

Tipos histológicos do carcinoma de laringe

O tipo histológico é determinado pela análise anatomopatológica da biópsia , o exame que identifica quais células formam o tumor. No carcinoma de laringe, a distribuição é a seguinte:

Tipo histológicoFrequênciaCaracterísticas principais
Carcinoma de células escamosas (CCED)>95% dos casosOrigina-se do epitélio escamoso da laringe; altamente relacionado ao tabagismo e álcool
Carcinoma verrucoso~1-2%Variante bem diferenciada do CCED; crescimento lento, raramente metastatiza
CarcinossarcomaRaroComponente epitelial e mesenquimal; comportamento agressivo
AdenocarcinomaMuito raroOrigina-se de glândulas salivares menores; comportamento distinto do CCED

O carcinoma de células escamosas é dividido em graus de diferenciação celular: bem diferenciado (células mais parecidas com o tecido normal), moderadamente diferenciado e pouco diferenciado (células muito diferentes do tecido original, geralmente mais agressivo). O grau de diferenciação influencia o prognóstico e a escolha do tratamento.

Estadiamento TNM do carcinoma de laringe

O sistema TNM , desenvolvido pela Union for International Cancer Control (UICC) e adotado pela Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) , classifica o tumor em três dimensões: T (tamanho e extensão do tumor primário), N (comprometimento de linfonodos regionais) e M (presença de metástase distante).

Classificação T (tumor primário)

A classificação T varia conforme a localização do tumor dentro da laringe:

  • T1: tumor limitado à localização de origem, com mobilidade normal das cordas vocais
  • T2: extensão do tumor para outras sublocalizações da laringe, com possível comprometimento da mobilidade das cordas vocais
  • T3: tumor limitado à laringe com fixação de corda vocal ou invasão de estruturas adjacentes (espaço pré-epiglótico, paraglótico, cartilagem tireóidea)
  • T4a: invasão de estruturas externas à laringe (cartilagem tireóidea, traqueia, músculo, tireóide)
  • T4b: invasão de espaço pré-vertebral, artéria carótida ou estruturas mediastinais

Classificação N (linfonodos regionais)

  • N0: ausência de metástase em linfonodos regionais
  • N1: metástase em único linfonodo ipsilateral, ≤3 cm
  • N2: metástase em único linfonodo ipsilateral 3-6 cm; ou múltiplos linfonodos ipsilaterais ≤6 cm; ou linfonodos bilaterais/contralaterais ≤6 cm
  • N3: metástase em linfonodo >6 cm ou extensão extraganglionar

Classificação M (metástase distante)

  • M0: ausência de metástase distante
  • M1: metástase distante presente (pulmão, fígado, ossos)

Agrupamento em estágios clínicos

EstágioTNMDescrição clínica
IT1 N0 M0Tumor localizado, sem comprometimento nodal ou metástase
IIT2 N0 M0Extensão regional limitada, sem metástase
IIIT3 N0 M0 ou T1-3 N1 M0Tumor localmente avançado ou com metástase nodal regional única
IVAT4a ou N2 M0Invasão de estruturas externas ou metástase nodal múltipla
IVBT4b ou N3 M0Invasão de estruturas críticas ou metástase nodal extensa
IVCQualquer T, Qualquer N, M1Metástase distante

Tratamento por estágio: o que a oncologista clínica faz

O protocolo de tratamento do carcinoma de laringe é definido pelo estadiamento, pelo estado de saúde geral do paciente e pelas características do tumor. A Dra. Vanessa Motta, como oncologista clínica, coordena o tratamento sistêmico , a parte que envolve medicamentos que atuam no organismo todo (quimioterapia, imunoterapia, terapia alvo).

Estágios I e II: tratamento conservador

Nos tumores iniciais (estágios I e II), o objetivo é o controle da doença com preservação da laringe. As opções incluem radioterapia isolada (mais comum para tumores glóticos iniciais) ou cirurgia endoscópica a laser. A quimioterapia geralmente não é necessária nessa fase.

Estágios III e IVA: preservação de órgão e tratamento sistêmico

Para tumores localmente avançados, o protocolo padrão é a quimioradioterapia concomitante , combinação de radioterapia com quimioterapia baseada em cisplatina. Esse protocolo permite preservar a laringe em cerca de 60-70% dos casos, evitando a laringectomia total.

A cisplatina é o agente quimioterápico de escolha para a quimioradioterapia concomitante. Para pacientes que não toleram cisplatina por função renal ou comorbidades, a carboplatina ou o cetuximabe são alternativas. O cetuximabe é um anticorpo monoclonal anti-EGFR que potencializa o efeito da radioterapia quando associado a ela.

Doença recorrente e metastática: imunoterapia e terapia alvo

Para pacientes com doença recorrente após tratamento primário ou com metástase distante (estágio IVC), as opções incluem:

  • Pembrolizumabe: anticorpo monoclonal anti-PD-1, aprovado como primeira linha para carcinoma de cabeça e pescoço recorrente/metastático com escore CPS ≥1. Em pacientes com CPS ≥20, o pembrolizumabe em monoterapia é preferível em relação à quimioterapia.
  • Pembrolizumabe + quimioterapia: combinação com cisplatina e 5-FU para pacientes com maior carga tumoral ou menor expressão de PD-L1.
  • Cetuximabe + quimioterapia (esquema EXTREME): opção para pacientes que não são candidatos a imunoterapia.

Preservação da laringe: quando é possível e quando não é

A preservação da laringe , manter o órgão funcionando, sem laringectomia total , é um dos objetivos centrais do tratamento moderno. Ela é possível na maioria dos casos de tumores iniciais e em uma parcela significativa dos tumores localmente avançados com quimioradioterapia.

A laringectomia total ainda é necessária quando: o tumor invade cartilagem laríngea de forma extensa; a laringe perdeu função significativa antes do tratamento; ou houve falha do tratamento conservador com persistência de doença ativa na laringe. Mesmo após laringectomia, existe reabilitação fonatória disponível (prótese traqueoesofágica, voz esofágica, laringe eletrônica).

Atendimento pela Dra. Vanessa Motta

A Dra. Vanessa Motta (CRM-MG 65328 | RQE Oncologia Clínica 50860), membro titular da SBOC e do GBTGI, atende pacientes com carcinoma de laringe em João Monlevade, Itabira (MG) e por telemedicina nacional. O agendamento é pelo WhatsApp (31) 99564-0794, de segunda a domingo, das 09h às 17h.

Perguntas frequentes sobre carcinoma de laringe

Qual a diferença entre carcinoma e câncer de laringe?

Carcinoma é o tipo histológico mais comum de câncer de laringe , especificamente o carcinoma de células escamosas. Tecnicamente, “câncer de laringe” é o termo geral, enquanto “carcinoma de laringe” indica a origem nas células epiteliais da laringe. Na prática clínica, os dois termos são usados como sinônimos para o mesmo diagnóstico na grande maioria dos casos.

O estadiamento TNM muda ao longo do tratamento?

O estadiamento clínico (cTNM) é feito antes do tratamento com base em exames de imagem. Após cirurgia, o estadiamento patológico (pTNM) usa os achados do anatomopatológico. Em alguns casos, o estadiamento inicial pode ser revisado com base em novas informações. O estadiamento guia a escolha do protocolo de tratamento.

Quando usar imunoterapia no carcinoma de laringe?

A imunoterapia com pembrolizumabe está aprovada para carcinoma de cabeça e pescoço recorrente ou metastático com expressão de PD-L1 (escore CPS ≥1). Para doença localizada ou localmente avançada em tratamento primário, a quimioradioterapia concomitante ainda é o padrão. A Dra. Vanessa Motta avalia a indicação de imunoterapia caso a caso.

Cisplatina e cetuximabe são usados juntos?

Na maioria dos protocolos, não são usados simultaneamente. A cisplatina é combinada com radioterapia para tratamento curativo (quimioradioterapia concomitante). O cetuximabe é uma alternativa à cisplatina para pacientes que não a toleram, associado à radioterapia. Na doença recorrente/metastática, o esquema EXTREME combina cetuximabe com cisplatina/carboplatina e 5-FU.

A Dra. Vanessa Motta é médica oncologista. Este conteúdo tem finalidade informativa e não substitui consulta médica.

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